“[...]Meu bem, por quê achas que ainda está por cima de mim? Em meu chapéu você não toca há um bom tempo. Pausas em praças e RGs rasgados, as vezes de nada adiantam, muitas vezes precipitados, porém, muitas vezes funciona. Segunda via? Ok, é necessário mas nunca será exatamente como a anterior, os númerozinhos são agora diferentes, e os rasgados, bem se foram.
Me entristece saber que as vezes você folheia vosso velho álbum de fotografias, de que adianta tentar se recordar de algo que foi limitado pela falsa repressão? Quando como eles mesmos diziam que era tudo muito 1985? Sabe, eu bem tentei, por muito tempo, muito tempo… Demorou até eu encontrar coragem de carbonizar as fotografias que ficaram comigo, e agora que elas se foram, me deixe por favor tentar ser feliz, como um dia sonhei para nós, com outro cabideiro que tão bem gosta de pendurar meus chapéus. Falando em outros, por que sempre se importou, mesmo depois de toda a chuva-seca com meus sêmens e descendentes mortos com as tantofazes da XV? Outro ponto que um dia me machucou, foi depois desta carta, você querer sair com tanto orgulho por cima de mim, tentando mostrar que você não é mais como as garotas de 10 anos. Não erre com meu erro… Se te fez mal, é no mínimo ato de gentinha quer se vingar.
Ahhh Tereza, saiba que ainda me importo muito com você. Hipocrisia seria, se eu falasse que o carinho não mais existe. Existe sim, mas da maneira na qual te escrevi em minha última carta, aquela que você ainda mostra a seus amigos e vizinhos. Continue com seu “estou feliz” nem que seja até Junho que eu tentarei achar o meu, como há alguns meses já estou tentando achar.”
Último Capitúlo de meu primeiro Romance, fresquinho para vocês.
Shoyu.